quarta-feira, 28 de julho de 2010

Receita: avestruz ao molho de amoras

 

A carne de avestruz apresenta maciez que sempre surpreende ao ser saboreada pela primeira vez. O segredo desta característica é a baixíssima quantidade de colágeno: uma proteína do tecido conjuntivo dos animais e que caracteriza a resistência das carnes à mastigação.

A carne é super saborosa e levemente adocicada. Sua coloração é vermelha e intensa devido ao alto nível de ferro (Fe) em sua composição. É uma ótima alternativa para quem se preocupa com a saúde sem deixar de lado a suculência e sabor da carne vermelha.

A carne de avestruz é extremamente magra, o conteúdo de gordura em média representa 1,5%, que, em maior parte, é formada pelas gorduras insaturadas, tendo os ômegas 3 e 6 como seus mais famosos representantes - assim como a carne de peixe, possui quantidades generosas destes ácidos graxos -.

Para a receita de hoje, você precisará, primeiro, do molho de amoras. Clique aqui para ver a receita. O molho é o ator principal da receita, então, para o avestruz, será algo bem simples. Aí vão os ingredientes:

#Ingredientes
200 g (4 Bifes) de avestruz Barão (tipo supersteak);
60 g de manteiga;
3 colheres de sopa de azeite de azeitona extra virgem;
1 colher de sopa de sal.

# Modo de preparo:
Primeiramente, deixe os bifes de avestruz temperados com sal.

Prepare, agora, o molho de amoras e, depois de pronto, deixe em banho maria e com a panela tampada.

Derreta a manteiga junto com o azeite de azeitona e frite os bifes. Eles devem ficar ao ponto - o avestruz não é uma carne para servir mal passada -.

Intervenção: Para aqueles que gostam de desviar a receita, pode-se, na hora de derreter a manteiga, colocar algumas ervas junto para fritar e, talvez, um alho. Mas não recomendo; deixe o avestruz simples e prefira caprichar no molho de amoras! hehehe

Tire o molho de amoras do banho maria e destampe a panela. Lembre-se de, quando destampar, deixar aquele vapor que condensou na tampa escorrer para dentro da panela.

Sirva os bifes com o molho por cima e, para deixar mais cheiroso, aperte com os dedos algumas folhas de hortelã e decore o prato.

# Para acompanhar:
Um vinho rosé cabe muito bem para acompanhar esse prato. O efeito tânico (adstringente) completa  com a leveza do prato. Se não encontrar - ou for muito caro - escolha um vinho tinto seco bem jovem: estará rico em taninos, que provocam o mesmo efeito.

# Para NÃO acompanhar:
Não faça nada que leve queijos para acompanhar esse prato! O cheiro e o sabor predominantes vão sair de coadjuvantes para se tornar vilões.


 Bom Apetite!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Receita: molho de amoras

Para estrear, vou mandar um molho super cheiroso e saboroso: molho de amoras!



As amoras fazem parte das, agora famosas, frutas vermelhas - famosas porque, além de saborosas, fazem muito bem à saúde -. Uma das substâncias presentes nessas frutas: na cereja, na framboesa, na amora, no morango e na uva é o ácido elágico, que, no meio científico, já é conhecido por seu mecanismo antioxidante (combate os algozes radicais livres).


Encontram-se molhos de frutas vermelhas em diferentes receitas de pratos exóticos, como avestruz, javali, capivara e etc. (aguarde, cenas dos próximos posts aqui no blog!). Molhos agridoces são excelentes  para esses pratos. Mostrarei aqui o de amoras numa versão simplificada - mais coringa -. Coringa pois também é uma opção para aqueles que querem diversificar um fondue, ou coisas do gênero.

Esta é uma daquelas receitas que existem diferentes níveis de sofisticação possíveis (neste caso, classificada pelo preço dos ingredientes - e não pelo modo de preparo-). A quantidade foi selecionada para servir quatro bifes grandes, ou para servir de molho para fondue.

#Lista 1 ($$$$$)
1 cebola;
1 taça de vinho de Merlot, ou Shiraz;
1 taça de vinho do porto;
2 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro;
2 colheres de sopa vinagre balsâmico;
4 colheres de sopa de azeite de azeitona extra virgem;
1 colher de sopa de pimenta rosa;
100g de amoras.

#Lista 2 ($$$)
1 cebola;
2 taças de vinho tinto (seco);
2 colheres de sopa de açúcar refinado;
2 colheres de sopa vinagre balsâmico;
4 colheres de sopa de azeite de azeitona extra virgem;
1 colher de sopa de pimenta do reino;
100g de amoras.

#Lista 3 ($$)
1 cebola;
2 copos de vinho tinto de mesa;
1 colher de sopa de açúcar;
6 colheres de sopa de azeite de azeitona;
1 colher de sopa de mel;
1 colher de chá de canela em pó;
2 colheres de sopa de pimenta do reino;
100g de geléia de amoras.

Se optar pelas amoras ao invés da geléia, prefira aquela preta, de gomos pequenos. Ela costuma ser mais doce, sem deixar de ser cítrica. Um misto com as vermelhas - que são mais cítricas - também é bem vindo (mas deixe a proporção maior para as pretas, e.g. 60% / 40%).

# Modo de preparo:
Primeiramente, rale a cebola  e junte na panela com o(s) vinho(s), o açúcar e o balsâmico (se estiver na lista #3, junte duas colheres de azeite, a canela, o mel e uma colher de pimenta do reino). 

Deixe ferver no fogo médio: lembro que o vinho é recheado de moléculas aromáticas - que são estimuladas pelo calor - mas, se o fogo estiver alto demais, pode quebrar alguma delas e, assim, alterar o cheiro e, consequentemente, o sabor. Assim que ferver, desligue o fogo e tampe a panela.

Agora é a hora de preparar as amoras: coloque-as no liquidificador com um pouco de açúcar e bata pouco. Bem pouco para não amargar, deixe com uma consistência de polpa, não de suco.

Destampe a panela e deixe escorrer o vapor que condensou na tampa dentro da panela. - fa-se isso porque parte dos aromáticos que escaparam com o calor estão ali -. Depois, junte as amoras (já batidas no liquidificador, ou a geléia) as quatro colheres de azeite de azeitona, a pimenta e deixe cozinhar - também em fogo médio -.

Intervenção: Para aqueles que gostam de desviar a receita, este é o momento exato de juntar os temperos que você gosta: uma pimenta do reino, um outro tempeiro verde, pode ser salsa, galhos de tomilho, ou algumas folhas de manjericão. Às vezes, um alho poró também cai bem.

A priori, depois de cozido e ganhar uma consistência, o molho está pronto! Agora, como existem diversas qualidades desses ingredientes, i.e. dos vinhos, amoras, azeites e etc., pode ser que ele precise de um ajuste aqui, outro ali. Depende do bom senso daquele que cozinha. hehehe.

 Bom Apetite!

Acendendo a lenha do fogão...



Olá!

Bom, este não será apenas mais um blog de receitas. Veja bem: a cozinha é um lugar muito importante para deixar apenas para os chefs! hehe. Existe uma certa ciência envolvida na gastronomia. Aumentar, ou diminuir, o fogo; tapar, ou não, a panela e etc. tem seus porquês - não somente empirismo -. Sou cientista por profissão (físico) e isso faz parte de mim. Talvez minhas leituras sejam melhores, ou piores, que a de uma receita careta, mas posso afirmar: são deveras singulares.

Creio que todos aqueles que gostam de preparar seus pratos têm suas preferências e costumam ter suas próprias leituras das receitas. Mas isso não pode ser feito ao léu! Quando mostrar uma receita, intervirei exatamente onde acho apropriado que aquele que prepara a receita faça seus desvios.

Existem vários pratos que podem ser feitos em diferentes níveis de sofisticação: dependendo da disponibilidade dos ingredientes, do custo deles, claro, e do modo de preparo. Quando possível, mostrarei, na mesma receita, diferentes combinações possíveis.

Não escreverei para especialistas, tentarei explicar da melhor forma possível as receitas - que nem sempre serão minhas -. Assim, todo mundo pode se divertir cozinhando! Odeio procurar receitas e encontrar, apenas um ou dois parágrafos mal explicados.

Acho que, por enquanto, é isso. Espero que gostem e aproveitem!